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Joana Gomes | Examination from a geopolitical perspective | A reflexive look | Interpreted metaphorically

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The Absence of Awareness: Flúor, Concrete and Lava

Joana Gomes, born 1986 in Lisbon. 2008 she finished her Fine Arts Degree in Painting by the Faculty of Fine Arts of Lisbon and in 2011 her Master ‘s Degree also in Painting at the same institution. She worked in several museums and galleries as an assistent of prodution, namely, in Galeria Baginski and at MUDE – Museum of Fashion and Design. Also participated in an interneship at Carpe Diem – Arte e Pesquisa. Since 2012 she works as an educator and coordinates the Educational Service of Museu da Carris – Tram Museum of Lisbon. Also, teaches Drawing and Painting at Odd School – Creative Media and works as a visual artist at Atelier Contencioso in Lisbon.

Throughout her artistic career, she has been in the process of developing an interesting body of work that intends to tell stories embedded in anthropological, literary, cinematographic, philosophical and personal references and contextualize them in the contemporary world, either through an integration into social, economic and cultural reality or by the approach to the image itself.

Based on a deconstructed narrative, presented as a sort of archeology of memory where real memories, symbols of the imagination and collective experience merge. The artist finds herself in a constant research for a deeper understanding of human relations and her dialogue with the universe, she resorts from concepts of psychoanalysis and philosophy such as the disturbing strangeness, the double, the multiplicity, the other, the thing and the alternative realities.

Her artistic work is essentially expressed by the medium of painting, often challenged at the point of intersection with other mediums, namely, video projection. In this sense, painting is like a "projection screen", a dream scenario that receives "action" through the video. This device involves the viewer into the space, who questions the object and integrates into it by its 3D aesthetic dimension and the use of "light", texture, movement and sound as a whole.

For this exhibition the artist presents a work consisting of two installations that approach the concept of Interval | Distance that, in time or space, mediates between two things. Interval-temporal, procedural-interval and action-interval are the three notions that invites the viewer to question what is revealed and what is hidden in the painting, to speculate on the meaning that this manipulation of full and empty tells of the process and the pictorial intention or in videographic action.

 Joanas work brings us a reflexive look into the a humanity condition of living in a constant war and the manipulation of information by the media, generating a continuous fear of a repressed / depressed population.

The first installation is composed by sculptural pieces in the form of missiles, grenades, bombs. With different shapes and sizes under the bottom of a Balloon Bomb. From the rotation of this piece bags filled up with pigment, eventually will fall on the floor between the pumps. The implications of this installation are several: the idea of manufacturing bombs by women as a labor force and here translated by the artist's manual work. The suggestion that anyone, in this case artificially, can construct a bomb / weapon (aspect brought also by 3D printers), the question of interval / suspension between one bombardment and another in conflicts with the permanent tension therein; and the interval manifested by the drop of the sacks with pigment (black). This facility also intends to make visible the presence of weapons, namely, nuclear weapons in the current time and the tensions / emotions that follow. The constant fear established in humanity. More than 73 years after Hiroshima, man still does not learn from the mistakes of the past.

The second installation is in the final path of the exhibition, in this work the intention is to create a dialogue by dichotomy / contrast with the previous piece. The work celebrates the good sensations of the contact between human and the world, the body and the natural and artificial objects. On the one hand, making apology to human contact, on the other hand, provoking tactile and visual sensations in the viewer. An antithesis to modern human experience less contemplative, less direct, more alienated from the sensitive world.

The 180x120cm painting is initially an immaculate and abstract landscape with little vibrant tones and textures. Videos are sequences of hands moving objects / elements: Styrofoam balls, soap balls, grass, plants, skin, hair, water, etc. Stimulating touch sensations. Each mini-sequence of sensations will "leave" a mark on the screen. Suppose hands touching the grass - painting on the screen with the video projected, small compositional moments of the grass with vibrant green. Thus, successively until the painting is a final composition of the video and a synchronization takes place between the static image and the moving image.

On both works, in the process and in the installation, the intervals of the image appear; an invitation into a reflexive look, to be examined from a geopolitical perspective and interpreted metaphorically.

"There was low rainfall in this winter residence ruled by a motivating fellowship. Here came the references of always and the concepts that I work: the interval, the other, the landscape-action. But there was an opportunity to go further and consolidate issues and ambitions. Among with male artists there was also an unconscious need to affirm the feminine. From sewing delicately to creating heavy sculptures, from drawing and trimming women to cementing the investigation. To finish the exhibition with a dream and tactile painting. Discover and challenge the limits of the artistic process outside the comfort zone. Balloon Bomb manifests the urgency of a collective conscience. It seeks to break the historical amnesia. Please, Touch expresses the need for a reunion with the other, with the body, with the world. The works we produce in these three months dialogues with each other and affirm themselves as a set of provocations.” – Joana Gomes

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Joana Gomes, 1986 Lisboa. Artista reside e trabalha em Lisboa. Realizou a Licenciatura e o Mestrado em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Trabalhou em museus e galerias como assistente de produção e guia de museu, nomeadamente, na Galeria Baginski e no MUDE. Estagiou no Carpe Diem – Arte e Pesquisa. Actualmente, é monitora e coordenadora do Serviço Educativo do Museu da Carris. Paralelamente, dá formação de Desenho na Odd School e trabalha no Atelier Contencioso no Largo da Sé.

Ao longo do seu percurso artístico, tem desenvolvido um corpo de trabalho que pretende contar histórias embebidas em referências antropológicas, literárias, cinematográficas, filosóficas e pessoais, e contextualizá-las no mundo contemporâneo, seja por uma integração na realidade social, económica e cultural ou pela abordagem à própria questão da imagem.

Através de uma narrativa desconstruída, apresentada como uma espécie de arqueologia da memória onde se fundem memórias reais, símbolos do museu imaginário e experiência colectiva. A artista encontra-se numa constante procura da compreensão das relações humanas e seu diálogo com o universo, recorre a conceitos da psicanálise e filosofia como a inquietante estranheza, o duplo, a multiplicidade, o outro, a coisa e as realidades alternativas.

Seu trabalho plástico é, essencialmente, feito pelo médio da pintura, muitas vezes, desafiado no cruzamento com outros médios, nomeadamente, a projecção de vídeo. Neste sentido, a pintura é como um “ecrã de projecção”, um cenário onírico que recebe a “acção” por meio do vídeo. Este dispositivo envolve no espaço o espectador que questiona o objecto e se integra nele pela sua dimensão tridimensional e o uso de “luz”, textura, movimento e som como um todo.

Para esta exposição a artista desenvolveu um trabalho que consiste em duas instalações que abordam o conceito de Intervalo | Distância que, no tempo ou no espaço, medeia entre duas coisas. Intervalo-temporal, intervalo-processual e intervalo-acção são as três noções que convidam o espectador a questionar o que é revelado e o que é ocultado na pintura, a especular sobre o significado que essa manipulação de cheios e vazios conta do processo e da intenção pictórica ou na acção videográfica.

Ambas instalações nos trazem grandes e profundas reflexões sobre uma humanidade em guerra constante, a manipulação de informação pela mídia gerando um medo contínuo diante de uma população reprimida/deprimida.

A primeira são peças escultóricas em forma de misséis, granadas, bombas. Com formas e tamanhos diferentes. Sobre elas a parte inferior de uma Balloon Bomb. A ideia é que com a rotação desta peça os sacos com pigmento caiam no chão entre as bombas. As implicações desta instalação são várias: a ideia de manufactura de bombas por mulheres como força laboral e aqui traduzida pelo trabalho manual da artista. A sugestão de que qualquer um, neste caso artificialmente, pode construir uma bomba/arma (aspecto trazido também pelas impressoras 3D), a questão de intervalo/suspensão entre um bombardeamento e outro nos conflitos e a tensão aí vivida; e o intervalo manifestado pela queda dos sacos com pigmento (negro). Esta instalação pretende ainda tornar visível a presença das armas, nomeadamente, nucleares no tempo atual e as tensões/emoções que daí decorrem. O medo constante instaurado na humanidade. Mais de 73 anos após Hiroshima o homem continua a não aprender com os erros do passado.

 A segunda instalação se encontra no trajecto final da exposição, nesta obra a intenção é criar um diálogo por dicotomia/contraste com a peça anterior. Ou seja, nela celebram-se as sensações boas do contacto entre o homem e o mundo, o corpo e os objectos naturais e artificias. Por um lado, fazendo a apologia ao contacto humano, por outro, suscitando sensações tácteis e visuais no espectador. Uma antítese à experiência humana actual menos contemplativa, menos directa, mais alienada do mundo sensível.

A pintura de 180x120cm é inicialmente uma paisagem imaculada e abstracta com tons pouco vibrantes e texturas. Os vídeos são sequências de mãos a mexer em objectos/elementos: bolas de esferovite, bolas de sabão, relva, plantas, pele, pêlo, água, etc. Sensações estimulantes do toque. Cada mini-sequência de sensações “deixará” uma marca na tela. Suponhamos mãos a apalpar a relva - pintar na tela com o vídeo projectado, pequenos momentos compositivos da relva com verde vibrante. Assim, sucessivamente até que a pintura seja uma composição final do vídeo e aconteça uma sincronização entre a imagem estática e a imagem em movimento.

Em ambos os trabalhos, no processo e na instalação, os intervalos da imagem aparecem e são um convite para um olhar reflexivo, a serem examinados a partir de uma perspectiva geopolítica e interpretados metaforicamente.

“Houve pouca chuva nesta residência de inverno pautada por um companheirismo motivador. Para cá vieram as referências de sempre e os conceitos que trabalho: o intervalo, o outro, a paisagem-acção. Mas surgiu a oportunidade de levar mais longe e consolidar questões e ambições. Entre artistas masculinos também houve uma necessidade inconsciente de afirmar o feminino. De costurar delicadamente para criar esculturas pesadas, de desenhar e recortar mulheres para cimentar a investigação. De finalizar a exposição com uma pintura onírica e tátil. Descobrir e desafiar os limites do processo artístico fora da zona de conforto. Balloon Bomb manifesta a urgência de uma consciência colectiva. Pretende romper com a amnésia histórica. Please, Touch exprime a necessidade de um reencontro com o outro, com o corpo, com o mundo. As obras que produzimos nestes três meses são dialogantes entre si e afirmam-se como um conjunto de provocações.” – Joana Gomes

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